quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Percepção de tempo, vida rápida e saúde mental



Estava assistindo ao filme Orgulho e Paixão (1957), estrelado por Sophia Loren, Cary Grant e Frank Sinatra outro dia e fiquei um pouco maravilhada em como a indústria cinematográfica avançou desde os anos 50. O cenário real do filme ao invés de computadorizado, o contexto histórico e político em uma trama romântica e até pela forma de atuar de nomes tão fortes (este último achei engraçado, me parece pouco fiel à vida real, não gostei da atuação do Frank, rs), porém acredito que era o auge da época.

Uma breve sinopse da história, a quem se interessar:
"1810. As legiões de Napoleão avançam Espanha adentro, o que obriga o aniquilado e massacrado exército espanhol a recuar. Ele se desfaz do maior canhão do mundo, que pesa sete toneladas, pois era importante evitar que ele fosse usado pelas tropas napoleônicas. Entretanto os ingleses também querem este canhão e mandam para a Espanha o capitão Anthony Trumbull (Cary Grant), que ao chegar encontra o canhão semi-destruído em um pequeno vale. Trumbull precisa do canhão para levá-lo para Santander e, com a ajuda de Miguel (Frank Sinatra), que chefia duzentos guerrilheiros, consegue içá-lo e consertá-lo. Mas quando planeja marchar para Santander com o canhão Miguel diz que irão para Ávila, onde está o quartel-general francês na Espanha. Miguel planeja usar o poder de fogo do canhão para destruir as muralhas de Ávila e se compromete que, após isto, irão para Santander. Trumbull concorda, apesar de ser um percurso de mil quilômetros. Durante o trajeto ele começa a se sentir atraído por Juana (Sophia Loren), a bela amante de Miguel".

Mas o que mais me impressionou foi como o tempo passa tão devagar em filmes antigos. Se tem muito mais apreço ao momento, à cena e até à história. Estamos acostumados com hiper produções cinematográficas onde às vezes é até difícil de acompanhar o que está acontecendo.

E eu fico pensando em como isso se relaciona com o momento das gerações a partir dos anos 90 até os dias atuais, que vieram com a tecnologia e respiram tecnologia. Nos sentimos entediados em ficar 1h lendo um livro, ou até mesmo em fazer qualquer coisa que não seja mexer nas mídias sociais. Não gostamos mais de apreciar o que é belo. De ver beleza nos detalhes e no simples. De desacelerar.

Em alguns momentos do filme senti ansiedade pela demora para ver as coisas acontecendo, mas isso não significa que o filme é ruim, na verdade foi uma red flag (sinal de alerta) para que eu mesma perceba que está na hora de parar, diminuir a velocidade e ter paciência. É fácil ficar 1h vendo tiktok sendo que não consigo ficar mais que 2 minutos assistindo a um vídeo (ou sem colocar no modo rápido de reprodução), mas não vejo como isso seja saudável para a saúde mental.

Recomendo se desafiar a diminuir o consumo de redes sociais (ou de qualquer coisa que seja tão dinâmica a gerar ansiedade) e tentar ficar entre 1h a 2h lendo algum livro ou até mesmo vendo filmes antigos, para desacelerar. Eu experimentei e senti uma melhora absurda no meu estresse.

Acho que o hype da vida agitada (bastante influenciada pelos filmes/séries americanos e culto a produtividade nas redes sociais), já está passando. Acredito que no futuro as pessoas vão dar mais valor a viver os momentos, viver a vida com pessoais reais, com calma... se colocar mais como prioridade e achar novas formas de entretenimento que não sejam adoecedoras. Além do mais, acredito que a tecnologia é essencial, se for usada a nosso favor, ainda estamos aprendendo a usar.

"Não é sobre quanto tempo, mas o quão bem você viveu é o principal" - Sêneca

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