Escrevi no meu primeiro blog aos 11 anos de idade, depois de descobrir que eu podia escrever sobre qualquer coisa que achasse legal (e extremamente aleatória... seria vergonhoso ver os conteúdos se ainda existissem, obrigada Ingrid do passado por ter apagado) e compartilhar com todo o mundo. Acho que era a minha forma de colocar para fora, o que eu sentia, já que eu era muito negligenciada. Aos poucos eu fui aprendendo que eu e mais um monte de gente estava sozinho por aí. E que essas pessoas tinham tanta vontade de se expressar quanto eu e uma vontade ainda maior de ter uma rede de apoio e identificação.
Com o passar dos anos, o blog foi sendo substituído pelo modelo de fast content (conteúdos rápidos), pois é muito mais fácil postar uma foto bonita várias vezes ao dia, sem comentar sobre, só para impressionar ou chamar a atenção. Ou compartilhar/ver memes na internet sem precisar raciocinar muito. Até mesmo conversar de maneira mais instantânea. Fui percebendo que o íntimo foi perdendo espaço para as aparências, assim como o modo de interagir foi resumido a conversas rápidas, supérfluas, sem paciência para ler, para refletir sobre a vida, para ouvir desabafos... e nem estou falando de colocar os áudios na velocidade x2, ou simplesmente pular partes dele. Acho que perdi as contas de quantas vezes fiquei no vácuo porque em meio a tantas mensagens, as minhas se perderam na caixa de alguém. Ou simplesmente ficaram com preguiça de me responder. E como podem ver, sou mulher de muitas palavras, rs.
Eu também fui indo junto com essa ansiedade, impaciência e imediatismo (como uma amante de tecnologia, novidades e comunicação).
Hoje, 15 anos depois -pausa para me sentir velha neste momento-, volto ao tradicional. Talvez em parte pelo mesmo motivo de quando tudo começou (sentimento de negligência, está todo mundo ocupado com tanta informação), mas também porque eu senti muita falta de escrever com mais calma, mais intimidade e de forma mais madura. É assustador como as redes sociais nos faz sentir julgada o tempo inteiro e como nós estamos tão atolados de informação, que não nos sobra energia para o que realmente importa.
Acho que não sabemos usar a internet, eu mesma só tomei consciência disso esse ano, depois de enfrentar as minhas piores crises de ansiedade. Eu realmente achava inocente gastar mais de 9h por dia no celular somente vendo redes sociais (excluindo as horas de trabalho, pois eu trabalho com isso em alguns momentos). Essa consciência não vejo vindo tão cedo por parte das pessoas e isso inclui as que eu conheço também, e eu mesma.
Aos poucos vou construindo este espaço, que é sobre reflexões, sobre mim, meus momentos, viagens e qualquer outra coisa sobre a minha história. E a quem se interessar saber sobre, seja bem vindo(a).
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